Graciliano Ramos, um dos maiores escritores de língua portuguesa, nasceu em Quebrângulos, Alagoas, em 1892, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1953. A sua estreia na literatura data de 1933 (com o romance Caetés), mas o nome já se tornara conhecido pelos excelentes relatórios que da cidadezinha do interior, Palmeira dos Índios, onde era Prefeito, enviava ao governo do Estado. A construção romanesca no seu primeiro livro denunciava, com bastante evidência, influência de Eça de Queirós. São Bernardo, que publica no ano seguinte, já prenuncia a integração do grande escritor nas tradições do romance brasileiro, sobretudo o de Machado de Assis. Em 1939 aparece com outro volume de ficção – Angústia; em 1938 surge, finalmente, VIDAS SECAS, uma das obras-mestras de toda a literatura brasileira, livro de densidade incomum, de raro equilíbrio, de comovedora beleza – segundo Jorge Amado. É o romance de Graciliano Ramos mais conhecido e traduzido. Em 1947 apresenta um livro de conto, Insónia; seis anos mais tarde são editadas as suas Memórias do Cárcere, outra obra fundamental do escritor. Deixou vários trabalhos inéditos que ocupam três volumes nas “Obras Completas”, publicadas pela Editora Martins de São Paulo. No parecer de Jorge Amado (e esta opinião é partilhada pela critica brasileira) Graciliano foi, entre os escritores do «movimento de 30», o que mais se aproximou da perfeição. Ante a justeza, a correcção brasileira de língua portuguesa por escrita, nós os outros ficcionistas do Nordeste, somos uns bárbaros. Esse sertanejo de Palmeira dos Índios nasceu clássico, um clássico brasileiro. Em Lisboa a Portugália Editora publicou em 1960 a 1ª edição de VIDAS SECAS, seguindo-se a publicação dos romances Angústia e Caetés, e as Memórias do Cárcere, «documento humano» de incomparável grandeza na literatura escrita em português e dos mais impressionantes livros do género, em todo o mundo.
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Emílio Moitas, on August 16, 2007, said:
Graciliano Ramos – Escritor brasileiro
Graciliano Ramos, um dos maiores escritores de língua portuguesa, nasceu em Quebrângulos, Alagoas, em 1892, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1953. A sua estreia na literatura data de 1933 (com o romance Caetés), mas o nome já se tornara conhecido pelos excelentes relatórios que da cidadezinha do interior, Palmeira dos Índios, onde era Prefeito, enviava ao governo do Estado. A construção romanesca no seu primeiro livro denunciava, com bastante evidência, influência de Eça de Queirós. São Bernardo, que publica no ano seguinte, já prenuncia a integração do grande escritor nas tradições do romance brasileiro, sobretudo o de Machado de Assis. Em 1939 aparece com outro volume de ficção – Angústia; em 1938 surge, finalmente, VIDAS SECAS, uma das obras-mestras de toda a literatura brasileira, livro de densidade incomum, de raro equilíbrio, de comovedora beleza – segundo Jorge Amado. É o romance de Graciliano Ramos mais conhecido e traduzido. Em 1947 apresenta um livro de conto, Insónia; seis anos mais tarde são editadas as suas Memórias do Cárcere, outra obra fundamental do escritor. Deixou vários trabalhos inéditos que ocupam três volumes nas “Obras Completas”, publicadas pela Editora Martins de São Paulo. No parecer de Jorge Amado (e esta opinião é partilhada pela critica brasileira) Graciliano foi, entre os escritores do «movimento de 30», o que mais se aproximou da perfeição. Ante a justeza, a correcção brasileira de língua portuguesa por escrita, nós os outros ficcionistas do Nordeste, somos uns bárbaros. Esse sertanejo de Palmeira dos Índios nasceu clássico, um clássico brasileiro. Em Lisboa a Portugália Editora publicou em 1960 a 1ª edição de VIDAS SECAS, seguindo-se a publicação dos romances Angústia e Caetés, e as Memórias do Cárcere, «documento humano» de incomparável grandeza na literatura escrita em português e dos mais impressionantes livros do género, em todo o mundo.
Emílio Moitas