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Porqueiro Alentejano - Portugal
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in Assunção, 7340 Arronches, Portugal
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- Viewed 1149 times
- Uploaded on November 30, 2007
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by Emílio Moitas -
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- Camera: FUJIFILM FinePix S5000
- Taken on 2007/11/10 05:24:05
- Exposure: 0.007s (1/150)
- Focal Length: 9.40mm
- F/Stop: f/2.800
- ISO Speed: ISO200
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Comments
Emílio Moitas, on November 30, 2007, said:
Guardador de Porcos no Alentejo
As herdades alentejanas são um autêntico mundo de magia, povoadas por homens e mulheres que nelas nascem, crescem, vivem, choram e riem, amam, envelhecem e morrem, sempre com um apego indizível à terra que "é tão humilde, que até se deixa pisar... e tão nossa Mãe que nos dá o pão de cada dia".
O centro de toda a actividade agrícola é o Monte, pequeno aglomerado onde patrões e criados vivem e comungam o mesmo gosto pelo cheiro e pelo sabor da terra muitas vezes madrasta, mas invariavelmente exercendo o seu apelo telúrico sobre os que dela vivem e nela trabalham.
Lavradores, "mourais", "carreiros", "ganhões", etc, todos se dão as mãos, unidos no mesmo ideal de colaborarem, cada um a seu jeito, na obra da Criação.
E se o Monte é, na verdade, a casa-mãe donde tudo irradia, as suas dependências e anexos também merecem a nossa atenção, na medida em que fazem parte de um todo que se não pode dissociar, sob pena de se perder.
Em redor dos Montes estão sediados os galinheiros, o bardo das cabras, a malhada das porcas, etc.
Pelos campos as eguadas pastam sob a vigilância dos eguariços; as vacadas são atentamente conduzidas pelos vaqueiros; os rebanhos cuidados pelos pastores; as cabradas estão ao cuidado dos cabreiros e assim por diante.
Os porcos alentejanos são criados em "varas", à solta pelos montados, alimentando-se de ervas e pastos, mas sobretudo das bolotas e landes que as azinheiras e o sobreiros são pródigos em produzir.
Dentre as bolotas, as de azinho são mais nutritivas; mas a azinheira produz uma única camada destes frutos secos, oleosos, de cor castanha e formato oblongo.
O sobreiro produz três camadas: o bastão, a lande e a janeirinha, que se distinguem pelo tamanho e pela época em que aparecem; o bastão surge aí por Outubro a Novembro; a lande, que constitui a melhor camada, amadurece em Dezembro e a janeirinha, como o nome indica nasce em Janeiro.
E o porqueiro, com o seu azurrague de cabo de azinho a que prende enorme fita de couro, lá vai tocando a vara, colocando também os respectivos arganéis nos suínos mais viciados em fossar. Curiosamente, os porqueiros são os "mourais" mais aprumados e mais asseados, o que facilmente se nota no vestuário e até nos aparelhos das burras em que se fazem transportar.
Os porqueiros também têm a sua hierarquia:
O Maioral - moural, no dizer popular - que é o chefe; segue-se depois o "entregue" das porcas parideiras; o "farroupeiro", que tem por missão guardar os farroupos e o "vareiro", que percorre os campos com a "vara".
E calcorreando montes e vales os suínos, em retoiça, devoram com avidez a "boleta", base fundamental da sua alimentação e que confere à sua carne um sabor que os próprios deuses se não cansam de elogiar.
Mas, se a "vara" percorre os montados, as marrãs paridas recolhem à malhada onde, a coberto das intempéries, melhor cuidam dos bacorinhos, que os parem aos sete e aos oito de cada vez.
As mais antigas "malhadas das porcas" pouco ou nada terão a ver com as "furdas", "pocilgas" ou "chiqueiros" existentes em quase os quintais da gente pobre das aldeias.
Estes espaços albergam um ou dois "bácoros" que o ganhão adquiriu por baixo preço ou que até lhe ofereceram; vai-os alimentando com os restos da sua parca mesa, com algumas ervas que apanha pelos campos, com abóboras ou mogangos e também com alguma bolota que apanha nas azinhagas e carreteiras por onde transita quando vai para o trabalho, mais normalmente no regresso a casa, quando o sol já passou há muito a linha do horizonte.
É o "mealheiro dos pobres", pois, bem aproveitadas, as carnes do gordo suíno, têm que dar para o ano inteiro.
Mas, voltando à "malhada das porcas", o cheiro já se faz sentir...
Edificação rústica, primitiva, tem forma cónica e é coberta de piorno, giestas, folhas de eucalipto e bocados de arbustos. As mais recentes já são de "alvenaria", com telha mourisca ou folhas de zinco a servirem-lhe de tecto.
Servem estes espaços toscos para a criação e pernoita dos suínos, bem como do próprio porqueiro.
Por via de regra existe mais do que uma malhada em cada exploração agrícola, dependendo do número de porcos que, por sua vez, é directamente proporcional à área da herdade.
O seu interior compõe-se de um corredor a meio, que dá acesso às diversas divisões laterais, onde as marrãs parem e amamentam as suas crias, ficando então sujeitas a uma alimentação suplementar à base de cevada ou aveia, (deitada nas "gamelas" ou "maceirões" com o intuito de produzirem mais leite e, por, conseguinte melhor alimentarem a ninhada.
Após cada "afilhação" e com os bácoros já em condições de irem fazendo pela vida, a malhada é muito bem lavada, caiada com cal branca e desinfectado com criolina, para que não fiquem por ali micróbios ou outros parasitas que posteriormente causem dano às seguintes habitantes.
A "malhada das porcas" é, pois, uma espécie de maternidade onde as Rainhas do Montado parem aqueles que, num amanhã mais ou menos próximo, hão-de servir de suporte alimentar do Povo Alentejano.
In: Jornal Fonte Nova-Edição nº 1505 - 17 de Novembro de 2007
Krewinkel-Terto de A…, on November 5, 2008, said:
Emílio Moitas, A vida no Cabo Verde é dura. Cabo Verde é lindo. Obrigado pelo vossos textos e fotos. Ats, J. Terto de Amorim