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Um Moinho de Maré que ainda vive ... Parque Natural da Ria Formosa em Olhão - ALgarve - PORTUGAL

Parque Natural da Ria Formosa - Quinta de Marim - Olhão

Neste maravilhoso Parque,existe um Moinho de Maré que ainda vive...

Moinhos de Maré

Noutras épocas em que as fontes de energia escasseavam e eram limitadas apenas à força muscular, ao vento e correntes, os moinhos de maré tinham uma grande vantagem sobre as outras formas energéticas: a sua constância e previsibilidade. Existem duas marés diárias o que garantia cerca de 4 horas de moagem. Eram construídos nos estuários dos rios em terrenos baixos, e em zonas abrigadas que permitissem represar as águas. O primeiro moinho de maré de que se tem conhecimento surge no séc. XII no sul de França. Ao longo dos séc. XIII e XIV expandiram-se por toda a Europa.

Origem

Os moinhos de maré são construções que tiram partido da diferença do nível das águas entre a maré alta e a maré baixa e que eram utilizados para moer cereal, nomeadamente milho e trigo, transformando-o em farinha. Estes são uma invenção da engenharia medieval, a qual testemunha a vontade do homem em utilizar para seu proveito novas formas de energia: a energia das marés.

A energia das marés apresenta grandes vantagens, dado que é uma energia não poluidora e cíclica, ao contrário das outras energias renováveis, cuja natureza é muito inconstante e imprevisível, como por exemplo a energia solar, hídrica e eólica.

Moinho de maré da Mourisca

Em quase todos os estuários dos rios portugueses se construíram moinhos, mas a região do Seixal, constituída por terrenos baixos e alagados pelos esteiros do Tejo, facilitava a sua construção.

Os primeiros moinhos de maré em Portugal, surgem no Séc . XIII, apesar de já existirem na Europa Atlântica, onde se julga terem sido inventados desde o Séc. XI.

Em Portugal, o primeiro registo da existência de um engenho deste tipo data de 1290, em Castro Marim (Na margem do Rio Guadiana, no Algarve).

A partir do século XIV tornam-se comuns no litoral português, localizando-se sobretudo em rias e estuários de rios.

Na Ria Formosa chegaram a existir cerca de três dezenas de moinhos de maré.

Actualmente apenas está a funcionar um no Algarve, o moinho de maré da Quinta de Marim, no Parque Natural da Ria Formosa, que é propriedade do Instituto de Conservação da Natureza.

O funcionamento dos moinhos de maré baseia-se na subida e descida dos níveis da água entre a maré alta e a maré baixa . A existência de duas marés diárias garantia cerca de quatro horas de moagem.

Quando a maré começa a encher, a água do estuário do Sado faz pressão sobre a comporta , a qual se abre e deixa passar a água para a caldeira (reservatório de água do moinho) até o nível de água ser idêntico nos dois lados. A água aí retida não pode retroceder pelas comportas, dado que estas só abrem num sentido (rio-caldeira ).

Após a enchente dá-se a vazante, a qual provoca a diminuição do nível de água do rio e um desequilíbrio dos níveis de água entre o rio e a caldeira. Isto faz com que a água da caldeira exerça mais pressão sobre as comportas, pressão esta que vai ser responsável pelo movimento das mós. Esta situação verifica-se porque quando a maré enche, dá-se o desnível dos volumes existentes no edifício do moinho (atoches). Devido a esse desnível, a água corre da caldeira para o rio , fazendo girar as mós através dos rodeles.

A descida do nível da água na caldeira e o início da subida da maré no rio anulam pouco a pouco o desnível inicial. O movimento da água da caldeira para o rio diminui, o que origina uma diminuição da força que acciona as mós.

Ao mesmo tempo, a pressão da enchente abre as comportas basculantes (situadas no exterior do moinho) e o nível de água na caldeira volta a subir. Quando se atinge a maré cheia, a caldeira do moinho e o rio estão novamente ao mesmo nível, daí que o processo seja cíclico, tal como as marés.

A vida dos moleiros

O ritmo das marés condicionava o dia a dia dos moleiros, uma vez que consoante a hora do dia ou da noite em que a maré mudava, assim eles teriam de estar aptos para começarem a trabalhar. Isto porque era necessário abrirem os atoches, que davam passagem à água sempre que o desnível das águas fosse suficiente .

Consoante a qualidade do grão, assim eram escolhidas as mós e a afinação a utilizar, de forma a possibilitar que a farinha tivesse as características desejadas. Normalmente as toldas tinham uma capacidade de 50 Kg e demoravam uma hora a esvaziar. Em moinhos como este, que possuem 6 mós, o moleiro não tinha mãos a medir, especialmente quando a em simultâneo.

O moleiro guardava para si uma percentagem da farinha moída ao freguês. Esta percentagem denominava-se maquia e constituía a forma de pagamento do trabalho dos moleiros.

No decorrer dos períodos das marés mortas o desnível das águas era insuficiente para efectuar a moagem, daí que os moleiros aproveitassem esse tempo para inspeccionar o engenho, para substituir peças que acusassem sinais de desgaste e para picar as mós.

A picagem das mós tinha de ser efectuada com alguma frequência, pois o atrito entre o grão e as mós, provocava um certo desgaste que fazia com que as mós tivessem tendência a ficarem lisas, o que reduzia a sua eficácia. Assim o moleiro retirava a mó superior, de modo a deixar a descoberto as duas partes trituradoras. Esta tarefa era muito árdua (uma só mó poderia pesar centenas de quilos) e era executada por um único homem pois o moleiro raramente tinha ajudantes. Para facilitar essa tarefa o moleiro utilizava uma engenhosa técnica , que recorria a cunhas e alavancas.

Para realizar a picagem era utilizado um utensílio denominado picão, que permitia ao moleiro abrir pequenos sulcos na superfície da mó . Uma vez concluída a picagem, a mó era recolocada na sua posição habitual.

Funcionamento

Durante a enchente os rodízios estão parados e a comporta da caldeira abre automaticamente com a força da água que entra. Quando a maré começa a vazar a comporta fecha com a força contrária da água. A água da caldeira mantém-se represada até que a diferença da altura da maré durante a baixa-mar ponha os rodízios a descoberto. Abrem-se então as portinholas das condutas aos rodízios que, ligados às mós, começam a moer até ao início da enchente.

De notar que as horas das marés obrigavam a que se moesse a qualquer hora do dia ou da noite, pois os moinhos só trabalhavam durante a vazante. As outras horas eram aproveitadas para limpeza e manutenção do conjunto. Para um melhor aproveitamento do sistema, algumas caldeiras dos moinhos eram aproveitadas como viveiros de peixes e de ostras.

PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO:

1.

Quando a maré sobe, a água entra pela comporta, porta de madeira móvel sobre um eixo, colocada no acesso à caldeira.

2.

A água da maré fica represada na caldeira, enquanto no exterior o nível da maré desce, deixando a descoberto os rodízios.

3.

No interior do moinho , o moleiro abre os pejadouros, provocando dentro dos canais ou setias, a queda de água sobre os rodízios que os coloca em movimento

4.

O movimento dos rodízios é transmitido às mós, através de um sistema de engrenagens e aquelas começam a moer o cereal, transformando-o em farinha.

Catarina Santos

Ângela Santiago

http://www.eb1-faralhao-2.rcts.pt/moinho.htm

http://darasola.blogs.sapo.pt/5191.html

Moinho de Maré

http://www.youtube.com/watch?v=B3bPF2MVdBE

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Photo details

  • Uploaded on April 22, 2012
  • © All Rights Reserved
    by Francisco Bom
    • Camera: NIKON COOLPIX P90
    • Taken on 2006/03/01 03:37:50
    • Exposure: 0.025s
    • Focal Length: 4.60mm
    • F/Stop: f/2.800
    • ISO Speed: ISO800
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