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Cais de Abaetetuba

Cais de Abaetetuba

by paganelli

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Comments

paganelli, on October 29, 2008, said:

a Arte/Saber dos Engenheiros Navais de Abaetetuba. Entrevista com o Mestre Cuca. Herdeiro de uma ARTE-SABER transmitida de pai em filho, o Mestre Cuca conversa sobre a importância e as dificuldades dos estaleiros navais de Abaetetuba. Fui visitar o sr. Ademar Lobato Ferreira (o Mestre Cuca) para melhor conhecer a competência dos Engenheiros Navais de Abaetetuba e a importância que, ao longo da história da região, tiveram para o desenvolvimento da cidade de Abaetetuba. Quem não lembra que, com a crise e o fim do período da borracha (1911), a cidade de Abaetetuba se destacou na região pela garra e coragem de seus filhos em navegar com embarcações, construídas aqui mesmo, pelos mestre/engenheiros navais da época, para comercializar, nos rios Tocantins, Pará e Amazonas adentro, os gêneros do campo (farinha), os artefatos de barro das olarias (potes, tijolos, alguidás e telhas, entre outros) e os produtos dos numerosos engenhos de cana-de-açúcar (mel e cachaça da cana ‘piajota’). A conjugação da técnica de produção dos engenhos e das olarias com a arte/saber (= técnica) da construção das embarcações de pequeno e grande porte, possibilitou a façanha de transformar Abaetetuba num dos centros comerciais mais importantes do nordeste amazônico do século XX, ao longo das décadas dos anos 20 aos anos 80). Ademar Lobato Ferreira, o ‘mestre Cuca, não tem diploma universitário, mas muitos universitários, inclusive professores do Centro Tecnológico da UFPA, já foram até ele para tentar captar os secretos da ARTE-SABER de construir barcos com perfeição e habilidade. Não dispõe de computador nem trabalha com tecnologia de ponta. Por um dom especial de Deus e pelo acúmulo de conhecimentos herdados do pai (Manoel Cosme Ferreira) e do avó (Ademar Rodrigues Ferreira), o seu Ademar (= o ‘Mestre Cuca’), empreende a construção de qualquer barco. Os instrumentos de sua profissão são, em primeiríssimo lugar, a 'cabeça' - cheia de conhecimentos e de sabedoria para conseguir dirigir e coordenar todos os momentos e as atividades da profissão -; suas mãos habilidosas e a ajuda de seus colaboradores. Os instrumentos do trabalho são os mesmos herdados do avô e do pai: enxó, plaina de mão, poke x, machado, serrote, choupa, esquadro e suta. Para traçar o desenho da embarcação usa as fasquias, com as quais vai moldando o barco com a indispensável ajuda do infalível ‘zulhómetro’ humano. Na atualidade, o estaleiro do Mestre Cuca está construindo um B/M de 40 toneladas e reformando outro de 70 ton. de tolda corrida. Fazem parte do seu histórico de engenheiro naval a construção de barcos de turismo para clientes de Fortaleza, Parati (RJ) e Angra dos Reis (RJ). Nos anos 90, as ‘rabetas’, que caracterizam atualmente o transporte fluvial da região, foram o sucesso do transporte de passageiros, por garantir mais velocidade do que os tradicionais ‘pó pó pó’, de motor mono-cilíndrico. A idéia surgiu se inspirando nas tradicionais e ágeis canoas dos ribeirinhos, puxadas a remo. Os mais conhecidos ‘mestres’ de Abaetetuba, ainda em atividade, são: os mestres Nito e Jango, que trabalham em seus estaleiros no bairro de Santa Rosa; os mestres Mapará e Zilico (irmão do mestre Esperguete), no bairro do Algodoal; o mestre Jorge (filho do finado Deonato) e o mestre Quero (filho do mestre Xibiu). Ao terminar, não podemos deixar de lembrar, entre inúmeros ‘engenheiros navais’ de valor do nosso torrão natal, alguns dos mais conhecidos ‘mestres’ das últimas décadas do século XX: os inesquecíveis ‘mestres’ Augusto, Mucura, Milu e Emílio. Abaetetuba, valoriza os teus filhos e mantém viva a chama de sua Arte-Saber.

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  • Uploaded on January 25, 2008
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    by paganelli
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    • Camera: EASTMAN KODAK COMPANY KODAK EASYSHARE C743 ZOOM DIGITAL CAMERA
    • Taken on 2007/08/13 16:06:17
    • Exposure: 0.001s
    • Focal Length: 6.00mm
    • F/Stop: f/4.800
    • ISO Speed: ISO80
    • Exposure Bias: 0.00 EV
    • No flash