Janelas no telhado

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A Bela Visão no Telhado

Alex Azevedo Dias

Escondido no telhado ele a olhava. Faltava pouco para as três da madrugada, e a iluminação pública, já precária no início da noite, recolhera-se quase que por completo. Apenas uma luz bruxuleante persistia no parapeito daquela janela. A moça escovava seus cabelos longos, vendo-se no espelho da penteadeira do quarto. De tão distraída por entregar-se à mágica vaidade de menina que nem sequer podia supor a presença daquele olhar embevecido e invasor. Apenas a sua silhueta trêmula podia ser vista pelo apaixonado no telhado. Ele a admirava profundamente. O silêncio da rua deixava ouvir grilos que cantarolavam nas touceiras de mato nos cantos dos muros. Apenas o barulho de uma lixeira de lata que virou por causa de dois gatos larápios, desconcentrou um pouco o rapaz enlevado pelo amor angelical. Ela, por um instante, notou que alguém a observava. Virou-se à procura dos olhos que a fulminavam em segredo. Só encontrou escuridão. Mas continuou a escovar seus cabelos reluzentes pelo clarão da vela. Ele se manteve em guarda, contemplando-a. Ela fechou uma cortininha de renda, transparente, deixando o contorno do seu corpo mais desejante. No íntimo ela sabia da existência daquele olhar apaixonado e se satisfazia sem que tivesse consciência disso. Ele ignorava ser correspondido, mas a energia invisível da cumplicidade o fixara no telhado. Embora de quase nada tivesse certeza, sabia que só sairia dali quando os primeiros raios de Sol bloqueassem a luz da vela, interrompendo o espetáculo exótico do teatro do amor. Aos sons dos pássaros que acordam de madrugada, anunciando o dia nascente, ele estaria dormindo, sua cama vazia, mas sabia que apesar da distância, cada um em seu quarto, eles estariam dormindo juntos, para sempre, em seu coração.

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  • Uploaded on April 13, 2013
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    by © daniel p@redes

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