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"Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas."
A imagem representa uma passeata realizada no daí da consciência negra. A passagem do texto cita o suor humano na construção da rua, o que nos remete a escravidão e à presença do negro neste serviço braçal. Para isso, é usado efeito de sépia na fotografia, deixando-a com aparência envelhecida, referente a tempo passado. A imagem possui um tom similar a cor de areia, um dos materiais usados na argamassa.
Há um homem segurando uma corda e com os nervos tencionados, fazendo força. Isso alude ao suor humano presente na rua, ao esforço exaustivo que a passagem menciona. A imagem pertence à Avenida Paulista, onde há todo tipo de manifestação, onde circula todo tipo de gente, por isso a rua é a mais igualitária, mais socialista das obras humanas.
"Com efeito, pode-se dizer que os artistas e os especialistas culturais se interessam há muito tempo pela viagem como meio de estimular a imaginação. Contudo, até que ponto experiências semelhantes podem ser induzidas sem movimento físico concreto? Até que ponto ler um romance, folhear uma revista, ver um filme ou um documentário de televisão, ou mesmo tomar drogas podem ser considerados formas de flanerie? Até que ponto as novas formas de comunicação eletrônica, como internet e os meios multimídias facilitam também experiências similares?"
A foto mostra uma mulher folheando o livro, esta foto esta relacionada com um novo tipo de Flâneur, o virtual. Ler um livro é abster-se do espaço físico, é construir uma viajem virtual que o leve a descoberta de novas percepções. Um livro alia o olhar móvel do Flâneur ao olhar virtual, isto é, viajar pelos cenários propostos nos livros, sem sair do sofá, isto é uma nova forma de olhar, o que contribui ainda mais para a aquisição de experiências que é a eterna busca do Flâneur.
“Mas as tabuletas têm uma estranha filosofia; as tabuletas fazem pensar. Há, por exemplo, na Rua Senador Eusébio, perto da ex-ponte dos Marinheiros, uma hospedaria com este título: Hotel Livre Cambio. Quanta cousa pensa a gente conhecendo o negócio e olhando a tabuleta!”
É incrivel a chuva de pensamentos que acontece em nossas mentes quando simplesmente lemos uma placa. Na foto, só as palavras da fachada já nos fazem pensar em inúmeras relações. Misturadas, então, com as imagens, cores, linhas, formas, nos traz um clima específico.
"Fazer compras é uma atividade há muito tempo associada principalmente às mulheres e que, portanto, ainda traz o estigma de suas origens. Está claro também que há uma continuidade de atividades que podem ser incluídas sob o titulo de “ir às compras”, que vão de comprar artigos essenciais a olhar vitrines e se divertir comprando (passar tempo na cidade, caminhar pelas ruas, entrar e sair das lojas, butiques e espaços públicos). Já se afirmou que o flâneur das compras contemporâneo é o consumidor de experiências que busca os estímulos e sensações estéticas dos espaços, gozando a liberdade de misturar-se na multidão e no mundo das mercadorias em exibição."
O ato da compra vai além da compra em sí. É parar, olhar, conversar, rir... É interessante ver as mulheres na foto juntas vendo a mesma vitrine. Elas estão lá não só para comprar, e as vezes nem para isso! Degustar o espaço público, muitas vezes só por estar nele, já faz parte do "ir às compras". Vivenciar este espaço faz a mulher viver aquele espaço e aquele ato. Por sinal, as mulheres olharam e sairam andando segundos depois da foto ser tirada.
“Mas nem todos tem permissão para entrar nessas lojas: tal como o shopping center que viria depois, não se trata de um espaço público, mas apenas semi-público. Um espaço em que há um alto grau de vigilância e controle, onde o comportamento arruaceiro é proibido e do qual os pobres e os sem-teto estão automaticamente expulsos.”
E seria mesmo necessária a permissão para pobres compartilharem de lugares públicos? Lugares como shoppings são dotados de vigilância a fim de impedir comportamento arruaceiro dentro do estabelecimento, mas será que isso não significaria um preconceito em relação a essas pessoas? Não necessariamente pessoas pobres possuem mal comportamento, ou pior, muitas vezes comportam-se melhor que homens bem vestidos de terno e gravata.
“Contam-nos que o flâneur movia-se em meio à multidão com um alto senso de invisibilidade, que de fato andava mascarado e que adorava a pantomima de estar incógnito. Mas podemos supor que os outros o identificavam como um tipo social: muito provavelmente, era conhecido por condutores de táxis, mensageiros, jornaleiros, floristas, prostitutas e clochards, que trabalhavam e viviam nas ruas.”
E seria o faxineiro um tipo diferenciado de flâneur? São eles os trabalhadores que vivem nas ruas, que se sentem em casa na companhia da multidão. Sua presença ou ausência só é percebida se algo foge de comum, ou se alguém se incomoda com esses simples trabalhadores. Que mesmo sem querer são os verdadeiros flâneur que compartilham e vivenciam os acontecimentos das ruas, com um nível de invisibilidade capaz de invejar qualquer verdadeiro flâneur.
“Dessa cidade do plano ou mapa, tem-se dito que proporciona uma visão à vol d’oiseau da vida urbana. Algo que deve ser contrastado com a vista de baixo, “de toupeira”, quando nos movemos pelos becos e passagens, pelo labirinto que contém a “vida degradada” (Kasson 1990), a cidade, como diz de Certeau, e caminhantes que escrevem a cidade sem poder lê-la.”
O verdadeiro flâneur perde sua individualidade quando se caracteriza na visão do outro. E esse outro, nas ruas, na maioria das vezes são andarilhos ou sem-teto, que sem cultura alguma, desconhecem o poder da “vigilância das ruas”. Não se incorporam flâneur por não saberem sê-los. Ou seja, fazem parte da paisagem urbana, mas não as aprecia.
"Com que magoado encanto
Com que triste saudade
Sobre mim atua
Esta estranha feição das arvores da rua.
E elas são, entretanto,
A única ilusão rural de uma cidade!"
Neste poema de Mario Pederneiras, percebemos a natureza como aliada da Rua ideal que muitos artistas retrataram em suas obras. Podemos afirmar que o Flâneur como um conhecedor das ruas, também tem o seu conceito de rua ideal. A visão de rua ideal varia dependendo do Flâneur, pois cada um forma um conceito ideal de rua, de acordo com suas lembranças e experiências particulares.
"A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. Não paga ao tamagno para ouvir berros atenorados de leão avaro, nem á velha Patti para admitir um fio de voz velho, fraco e legendário. Bate, em compensação, palmas aos saltimbancos que, sem voz, rouquejam com fome para alegrá-la e para comer. A rua é generosa."
Na foto, um índio na avenida paulista tocando instrumento. É o miserável da arte de que o trecho fala. Esta foto retrata o quanto a rua é “acolhedora da miséria”, em nenhum outro espaço, você encontrara pessoas a mercê de seu próprio destino como na rua. Todas as pessoas que sobrevivem da arte na rua, são parte fundamental da sua dinâmica e de sua alma.
"há trechos em que a gente passa como fosse empurrada, perseguida, corrida - são as ruas em que os passos reboam, repercutem, aprecem crescer, clamam, ecoam e, em breve,são os outros tantos passos ao nosso encalço. Outras que se envolvem no mistério logo que as sombras descem."
Esta foto mostra uma evolução no modo de se observar a Rua pelo Flaneur. Quando estamos na rua cumprindo com nossos compromissos e rotina, muitos detalhes da rua nos passam despercebidos, mais o Flâneur também usufruí do ritmo alucinante das ruas, da distração para deixar as experiências fluírem.
Rubens Ishara's conversations
"Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas."
A imagem representa uma passeata realizada no daí da consciência negra. A passagem do texto cita o suor humano na construção da rua, o que nos remete a escravidão e à presença do negro neste serviço braçal. Para isso, é usado efeito de sépia na fotografia, deixando-a com aparência envelhecida, referente a tempo passado. A imagem possui um tom similar a cor de areia, um dos materiais usados na argamassa. Há um homem segurando uma corda e com os nervos tencionados, fazendo força. Isso alude ao suor humano presente na rua, ao esforço exaustivo que a passagem menciona. A imagem pertence à Avenida Paulista, onde há todo tipo de manifestação, onde circula todo tipo de gente, por isso a rua é a mais igualitária, mais socialista das obras humanas.
"Com efeito, pode-se dizer que os artistas e os especialistas culturais se interessam há muito tempo pela viagem como meio de estimular a imaginação. Contudo, até que ponto experiências semelhantes podem ser induzidas sem movimento físico concreto? Até que ponto ler um romance, folhear uma revista, ver um filme ou um documentário de televisão, ou mesmo tomar drogas podem ser considerados formas de flanerie? Até que ponto as novas formas de comunicação eletrônica, como internet e os meios multimídias facilitam também experiências similares?"
A foto mostra uma mulher folheando o livro, esta foto esta relacionada com um novo tipo de Flâneur, o virtual. Ler um livro é abster-se do espaço físico, é construir uma viajem virtual que o leve a descoberta de novas percepções. Um livro alia o olhar móvel do Flâneur ao olhar virtual, isto é, viajar pelos cenários propostos nos livros, sem sair do sofá, isto é uma nova forma de olhar, o que contribui ainda mais para a aquisição de experiências que é a eterna busca do Flâneur.
“Mas as tabuletas têm uma estranha filosofia; as tabuletas fazem pensar. Há, por exemplo, na Rua Senador Eusébio, perto da ex-ponte dos Marinheiros, uma hospedaria com este título: Hotel Livre Cambio. Quanta cousa pensa a gente conhecendo o negócio e olhando a tabuleta!”
É incrivel a chuva de pensamentos que acontece em nossas mentes quando simplesmente lemos uma placa. Na foto, só as palavras da fachada já nos fazem pensar em inúmeras relações. Misturadas, então, com as imagens, cores, linhas, formas, nos traz um clima específico.
"Fazer compras é uma atividade há muito tempo associada principalmente às mulheres e que, portanto, ainda traz o estigma de suas origens. Está claro também que há uma continuidade de atividades que podem ser incluídas sob o titulo de “ir às compras”, que vão de comprar artigos essenciais a olhar vitrines e se divertir comprando (passar tempo na cidade, caminhar pelas ruas, entrar e sair das lojas, butiques e espaços públicos). Já se afirmou que o flâneur das compras contemporâneo é o consumidor de experiências que busca os estímulos e sensações estéticas dos espaços, gozando a liberdade de misturar-se na multidão e no mundo das mercadorias em exibição."
O ato da compra vai além da compra em sí. É parar, olhar, conversar, rir... É interessante ver as mulheres na foto juntas vendo a mesma vitrine. Elas estão lá não só para comprar, e as vezes nem para isso! Degustar o espaço público, muitas vezes só por estar nele, já faz parte do "ir às compras". Vivenciar este espaço faz a mulher viver aquele espaço e aquele ato. Por sinal, as mulheres olharam e sairam andando segundos depois da foto ser tirada.
“Mas nem todos tem permissão para entrar nessas lojas: tal como o shopping center que viria depois, não se trata de um espaço público, mas apenas semi-público. Um espaço em que há um alto grau de vigilância e controle, onde o comportamento arruaceiro é proibido e do qual os pobres e os sem-teto estão automaticamente expulsos.”
E seria mesmo necessária a permissão para pobres compartilharem de lugares públicos? Lugares como shoppings são dotados de vigilância a fim de impedir comportamento arruaceiro dentro do estabelecimento, mas será que isso não significaria um preconceito em relação a essas pessoas? Não necessariamente pessoas pobres possuem mal comportamento, ou pior, muitas vezes comportam-se melhor que homens bem vestidos de terno e gravata.
“Contam-nos que o flâneur movia-se em meio à multidão com um alto senso de invisibilidade, que de fato andava mascarado e que adorava a pantomima de estar incógnito. Mas podemos supor que os outros o identificavam como um tipo social: muito provavelmente, era conhecido por condutores de táxis, mensageiros, jornaleiros, floristas, prostitutas e clochards, que trabalhavam e viviam nas ruas.”
E seria o faxineiro um tipo diferenciado de flâneur? São eles os trabalhadores que vivem nas ruas, que se sentem em casa na companhia da multidão. Sua presença ou ausência só é percebida se algo foge de comum, ou se alguém se incomoda com esses simples trabalhadores. Que mesmo sem querer são os verdadeiros flâneur que compartilham e vivenciam os acontecimentos das ruas, com um nível de invisibilidade capaz de invejar qualquer verdadeiro flâneur.
“Dessa cidade do plano ou mapa, tem-se dito que proporciona uma visão à vol d’oiseau da vida urbana. Algo que deve ser contrastado com a vista de baixo, “de toupeira”, quando nos movemos pelos becos e passagens, pelo labirinto que contém a “vida degradada” (Kasson 1990), a cidade, como diz de Certeau, e caminhantes que escrevem a cidade sem poder lê-la.”
O verdadeiro flâneur perde sua individualidade quando se caracteriza na visão do outro. E esse outro, nas ruas, na maioria das vezes são andarilhos ou sem-teto, que sem cultura alguma, desconhecem o poder da “vigilância das ruas”. Não se incorporam flâneur por não saberem sê-los. Ou seja, fazem parte da paisagem urbana, mas não as aprecia.
"Com que magoado encanto Com que triste saudade Sobre mim atua Esta estranha feição das arvores da rua. E elas são, entretanto, A única ilusão rural de uma cidade!"
Neste poema de Mario Pederneiras, percebemos a natureza como aliada da Rua ideal que muitos artistas retrataram em suas obras. Podemos afirmar que o Flâneur como um conhecedor das ruas, também tem o seu conceito de rua ideal. A visão de rua ideal varia dependendo do Flâneur, pois cada um forma um conceito ideal de rua, de acordo com suas lembranças e experiências particulares.
"A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. Não paga ao tamagno para ouvir berros atenorados de leão avaro, nem á velha Patti para admitir um fio de voz velho, fraco e legendário. Bate, em compensação, palmas aos saltimbancos que, sem voz, rouquejam com fome para alegrá-la e para comer. A rua é generosa."
Na foto, um índio na avenida paulista tocando instrumento. É o miserável da arte de que o trecho fala. Esta foto retrata o quanto a rua é “acolhedora da miséria”, em nenhum outro espaço, você encontrara pessoas a mercê de seu próprio destino como na rua. Todas as pessoas que sobrevivem da arte na rua, são parte fundamental da sua dinâmica e de sua alma.
"há trechos em que a gente passa como fosse empurrada, perseguida, corrida - são as ruas em que os passos reboam, repercutem, aprecem crescer, clamam, ecoam e, em breve,são os outros tantos passos ao nosso encalço. Outras que se envolvem no mistério logo que as sombras descem."
Esta foto mostra uma evolução no modo de se observar a Rua pelo Flaneur. Quando estamos na rua cumprindo com nossos compromissos e rotina, muitos detalhes da rua nos passam despercebidos, mais o Flâneur também usufruí do ritmo alucinante das ruas, da distração para deixar as experiências fluírem.