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A Ponte de Negrelos, admirável construção romana, mas que ficaria definitivamente ligada à história da freguesia e do país, pelo episódio ocorrido quando da segunda Invasão Francesa em 1809.
Por volta de 1835, foi redigido um projecto de criação do imposto de passagem nas pontes. Entre elas a Ponte de Negrelos. A nova postura rezava desta guisa:
“-Passagens-Cada pessoa, a pé – cinco réis; a cavalo ou com uma cavalgadura à arreata, «ainda que carregada», - dez réis
Cada rês ou junta de gado, ou cada «um sebado», «excepto sendo porcas parideiras que conduzem seus filhos, sendo estes de leite», acompanhados de uma até duas pessoas, - dez réis. E daí para cima, cinco réis por cada rês ou pessoa a mais, ou cavalgadura… As tais «porcas de criação que conduzam seus filhos de leite», com uma ou duas pessoas, também pagariam os dez rs.;
Cada carro, «ainda que carregado», conduzido por até duas juntas de gado e até duas pessoas – vinte rs.;
E cada liteira, mesmo carregada, acompanha por um ou dois arreeiros – vinte réis.”
Numa prova de boa vizinhança e solidariedade humana e cristã, a postura logo previa isenções a este imposto: nada pagariam pela passagem os habitantes das freguesias confinantes e próximas das referidas pontes, dum e doutro lado do rio; assim como os que fossem acudir a qualquer desastre ou acompanhar o Sagrado Viático, e também os mendigos, os militares, os correios, e os presos e seus guardas.
Posta em arrematação a cobrança deste imposto, não apareceram licitantes, simplesmente porque a despesa …não dava para a receita!
Em 1853 foi restaurada a Ponte de Negrelos, que estava sem grades e o seu piso quase a tocar nas aduelas da arcaria. A Câmara de Negrelos gastou nessa obra 77$450 rs., e outro tanto despendeu o município de Guimarães por a ponte ser meeira aos dois concelhos.
Das estradas novas projectadas pela Câmara, mencionaremos três, que afinal só muito mais tarde foram construídas: da Ponte de Negrelos a S. Mamede e Codeços; da dita ponte, por S. Martinho, ao lugar da Costa (Roriz), em direcção a Valinhas e daí ao encontro da nova estrada do Porto; de Roriz à Ponte de S. Tomé, em direitura a Santo Tirso. O seu custo foi orçado em 600$000 rs. Isto para sublinhar a importância da Ponte de Negrelos no passado e no presente, já que mesmo em mau estado, ela continua a ser uma das principais vias entre os concelhos de Santo Tirso e Guimarães.
A Igreja Matriz (1705) de S. Martinho do Campo, segundo um trabalho recente de António e Lígia Oliveira (1999), “não tem merecido, por parte da História de Arte, a atenção que a sua especificidade justifica”. Na verdade, a igreja matriz, construída a partir de 1705, situada na Avenida Manuel Dias Machado, tendo do lado direito o cemitério da freguesia, ergue-se de forma vistosa, sendo protegida por um adro murado e lajeado que a antecede e a faz sobressair ainda mais na Avenida.
Nesta construção surgiu o compromisso de André Machado, mestre pedreiro, fazer os alicerces da obra em terra firme e “em boa pedra”, segundo a escritura lavrada a 5 de Março de 1705, mas que, surpreendido pela morte poucos dias após a assinatura do contrato da obra, seria substituído por Francisco da Costa a 17 de Abril do mesmo ano, morador em S. Tiago de Areias, couto de Landim e termo de Barcelos, juntamente com Custódio de Melo, residente em S. Vicente de Passos, em Guimarães, ambos conhecidos oficiais de arquitectura. A igreja seria reformada em 1902, de acordo com a lápide colocada na sua frontaria.
Apesar do aspecto robusto que o granito lhe confere, bem como o já referido muro que a circunda, a igreja matriz de S. Martinho do Campo apresenta ainda assim um recorte vistoso e elegante, sobretudo na sua torre sineira, característica que sobressai da fachada. É uma igreja de planta composta por nave única, capela-mor e sacristia com abertura para o exterior é de telhado de três águas, contém um arcaz e um lavatório em mármore. A cobertura de duas águas estende-se pela nave única e na capela-mor, sendo o tecto desta revestido a caixotões, pintados recentemente e onde podemos encontrar um retábulo com dois nichos laterais, contendo representações escultóricas de S. Martinho e de S. João Baptista.
A decoração interior é predominantemente barroca, sendo visível o estilo nacional no altar-mor e nos quatro altares laterais de talha dourada. Deparamos no interior, com um coro-alto de madeira, uma pia baptismal sob o coro e um púlpito quadrado. Aparece referência em 1716 a Pedro Coelho, mestre entalhador, numa escritura celebrada em 10 de Março para a feitura do retábulo-mor e de um arcaz para a sacristia. Segundo os investigadores António e Lígia Oliveira (1999), “poderá ainda atribuir-se-lhe, embora com reservas, os quatro retábulos laterais” não obstante, até ao momento, não ter sido encontrado qualquer fonte documental para esclarecer este assunto.
Registe-se ainda o relato do Abade da freguesia em 1758 que sobre a igreja escrevia: “Na Igreja há cinco altares; o Altar-Mor tem tribuna e sacrário, da parte da Epístola, São João, e do Evangelho, São Martinho; tem mais um altar de Nossa Senhora do Rosário, e outro com a imagem de Cristo crucificado, outro do Menino Deus, e outro de Santo António”.
Artur Jorge Matos's conversations
A Ponte de Negrelos, admirável construção romana, mas que ficaria definitivamente ligada à história da freguesia e do país, pelo episódio ocorrido quando da segunda Invasão Francesa em 1809. Por volta de 1835, foi redigido um projecto de criação do imposto de passagem nas pontes. Entre elas a Ponte de Negrelos. A nova postura rezava desta guisa: “-Passagens-Cada pessoa, a pé – cinco réis; a cavalo ou com uma cavalgadura à arreata, «ainda que carregada», - dez réis Cada rês ou junta de gado, ou cada «um sebado», «excepto sendo porcas parideiras que conduzem seus filhos, sendo estes de leite», acompanhados de uma até duas pessoas, - dez réis. E daí para cima, cinco réis por cada rês ou pessoa a mais, ou cavalgadura… As tais «porcas de criação que conduzam seus filhos de leite», com uma ou duas pessoas, também pagariam os dez rs.; Cada carro, «ainda que carregado», conduzido por até duas juntas de gado e até duas pessoas – vinte rs.; E cada liteira, mesmo carregada, acompanha por um ou dois arreeiros – vinte réis.” Numa prova de boa vizinhança e solidariedade humana e cristã, a postura logo previa isenções a este imposto: nada pagariam pela passagem os habitantes das freguesias confinantes e próximas das referidas pontes, dum e doutro lado do rio; assim como os que fossem acudir a qualquer desastre ou acompanhar o Sagrado Viático, e também os mendigos, os militares, os correios, e os presos e seus guardas. Posta em arrematação a cobrança deste imposto, não apareceram licitantes, simplesmente porque a despesa …não dava para a receita! Em 1853 foi restaurada a Ponte de Negrelos, que estava sem grades e o seu piso quase a tocar nas aduelas da arcaria. A Câmara de Negrelos gastou nessa obra 77$450 rs., e outro tanto despendeu o município de Guimarães por a ponte ser meeira aos dois concelhos. Das estradas novas projectadas pela Câmara, mencionaremos três, que afinal só muito mais tarde foram construídas: da Ponte de Negrelos a S. Mamede e Codeços; da dita ponte, por S. Martinho, ao lugar da Costa (Roriz), em direcção a Valinhas e daí ao encontro da nova estrada do Porto; de Roriz à Ponte de S. Tomé, em direitura a Santo Tirso. O seu custo foi orçado em 600$000 rs. Isto para sublinhar a importância da Ponte de Negrelos no passado e no presente, já que mesmo em mau estado, ela continua a ser uma das principais vias entre os concelhos de Santo Tirso e Guimarães.
A Igreja Matriz (1705) de S. Martinho do Campo, segundo um trabalho recente de António e Lígia Oliveira (1999), “não tem merecido, por parte da História de Arte, a atenção que a sua especificidade justifica”. Na verdade, a igreja matriz, construída a partir de 1705, situada na Avenida Manuel Dias Machado, tendo do lado direito o cemitério da freguesia, ergue-se de forma vistosa, sendo protegida por um adro murado e lajeado que a antecede e a faz sobressair ainda mais na Avenida. Nesta construção surgiu o compromisso de André Machado, mestre pedreiro, fazer os alicerces da obra em terra firme e “em boa pedra”, segundo a escritura lavrada a 5 de Março de 1705, mas que, surpreendido pela morte poucos dias após a assinatura do contrato da obra, seria substituído por Francisco da Costa a 17 de Abril do mesmo ano, morador em S. Tiago de Areias, couto de Landim e termo de Barcelos, juntamente com Custódio de Melo, residente em S. Vicente de Passos, em Guimarães, ambos conhecidos oficiais de arquitectura. A igreja seria reformada em 1902, de acordo com a lápide colocada na sua frontaria. Apesar do aspecto robusto que o granito lhe confere, bem como o já referido muro que a circunda, a igreja matriz de S. Martinho do Campo apresenta ainda assim um recorte vistoso e elegante, sobretudo na sua torre sineira, característica que sobressai da fachada. É uma igreja de planta composta por nave única, capela-mor e sacristia com abertura para o exterior é de telhado de três águas, contém um arcaz e um lavatório em mármore. A cobertura de duas águas estende-se pela nave única e na capela-mor, sendo o tecto desta revestido a caixotões, pintados recentemente e onde podemos encontrar um retábulo com dois nichos laterais, contendo representações escultóricas de S. Martinho e de S. João Baptista. A decoração interior é predominantemente barroca, sendo visível o estilo nacional no altar-mor e nos quatro altares laterais de talha dourada. Deparamos no interior, com um coro-alto de madeira, uma pia baptismal sob o coro e um púlpito quadrado. Aparece referência em 1716 a Pedro Coelho, mestre entalhador, numa escritura celebrada em 10 de Março para a feitura do retábulo-mor e de um arcaz para a sacristia. Segundo os investigadores António e Lígia Oliveira (1999), “poderá ainda atribuir-se-lhe, embora com reservas, os quatro retábulos laterais” não obstante, até ao momento, não ter sido encontrado qualquer fonte documental para esclarecer este assunto. Registe-se ainda o relato do Abade da freguesia em 1758 que sobre a igreja escrevia: “Na Igreja há cinco altares; o Altar-Mor tem tribuna e sacrário, da parte da Epístola, São João, e do Evangelho, São Martinho; tem mais um altar de Nossa Senhora do Rosário, e outro com a imagem de Cristo crucificado, outro do Menino Deus, e outro de Santo António”.